A reprovação das demonstrações financeiras de 2024 motivou mais um pedido de destituição de Augusto Melo do cargo de presidente do Corinthians. Desta vez, quem protocolou a solicitação na secretaria do Conselho Deliberativo foi Paulo Roberto Bastos Pedro, advogado e membro do Conselho de Orientação (Cori). Paulo Pedro, como é conhecido no Parque São Jorge, pertence à Chapa 82 “Movimento Corinthians Grande”, que apoiou publicamente o atual mandatário na última eleição.
“Votei no Augusto. Apoiei pela chapa. Mas, estou muito decepcionado, muito, totalmente. Ele é uma caricatura daquele candidato, não cumpriu 10% do que prometeu. Isso eu falei pra ele”, afirmou o conselheiro à Gazeta Esportiva.
A base do pedido que deve culminar com uma nova discussão nos órgãos internos do clube sobre as ações e eventuais omissões de Augusto Melo é o texto do próprio voto de Paulo Pedro na reunião do Cori que determinou a sugestão de reprovação das contas pertinentes ao primeiro ano do mandato de Augusto Melo.
“O meu relatório não versa tão somente sobre as contas do Augusto, ele versa sobre administração irresponsável que tivemos durante 2024. O Cori tentou orientar, mas ele não compareceu às reuniões. Enviamos recados aos diretores dele, mas eles ignoraram”, comentou Paulo Pedro.
No relatório de 25 páginas, Paulo Pedro detalhou, com sustentação jurídica para cada tópico citado, diversos descumprimentos e infrações estatutárias assim como ocorreu diante de artigos da Lei Geral do Esporte. Entre tantos, alguns dos principais motivos listados estão:
– Ausências de informações e documentos que deveriam ser apresentados pela diretoria.
-Ausência de balancetes mensais.
-Ausência de envio prévio das demonstrações financeiras ao Cori.
-Contratação da empresa Workserv Segurança Privada LTDA (sem cotação de orçamento, sem formalização de contrato, sem seguir recomendação do compliance, com funcionários sem registro legal, com ficha cadastral de constituição da empresa 75 dias antes da contratação, sem autorização de funcionamento da Polícia Federal).
-Contratação da Kiara Segurança Privada LTDA para substituir a Workserv (sem cotação de orçamento prévio, sem autorização da PF no ato da contratação, com funcionários sem registro legal).
-Aumento substancial de 85% nos serviços contratados e nas despesas gerais e administrativas no departamento de futebol.
-Contratação de mais de 100 funcionários para o clube social, que representou um aumento de 23% da folha de pagamento.
-Ausência de revisão orçamentária durante o ano de 2024.
-Aumento das despesas financeiras em R$ 200 milhões.
-Ausência do relatório de auditoria ou consultoria da Ernst & Young.
-Ausência de adoção de medidas, inclusive da Comissão de Ética, sobre a despesa provável de R$ 40 milhões, já imposta pela Fifa em primeira audiência, no caso Matías Rojas, que se utilizou de uma cláusula aceita e não cumprida pela atual gestão.
-Degradação do Programa Fiel Torcedor, com redução de associados e de receita, que caiu de R$ 106,5 milhões, em 2023, para R$ 70,6 milhões, em 2024, afora tantas reclamações e número reduzido de ingressos disponibilizados.
-Gestão em desacordo com o Profut. Déficit de 181,8 milhões após um resultado positivo em 2023 e um orçamento aprovado em abril de 2024, que previa
um superávit de R$ 17,6 milhões.
-Porcentagem de 19,45% de déficit sobre a receita bruta de 2023, apenas 0,55% abaixo do limite legal do Profut, para ser considerada uma gestão temerária. Margem que deve ser superada se somada a execução de juros e correções da Pix Bet pelo não cumprimento do pagamento de R$ 44,1 milhões gerados pela decisão de rescisão unilateral por parte do Corinthians. Além da receita obtida com a doação dos torcedores através da ‘vaquinha’ para pagamento da Neo Química Arena, que foram compostas nas receitas do clube e não deveriam assim ser consideradas, o que fatalmente aumentará o déficit operacional.
“Eles brincam com os poderes. Começo a imaginar que o Augusto acredita que foi eleito para um reinado, não para um mandato. Ele não é rei. Tem órgão de controle, tem que respeitar, não pode fazer o que quiser”, argumentou Paulo Pedro, que entregou o texto do seu voto ao presidente da Gaviões da Fiel, Alexandre Domênico Pereira, apelidado de Alê.
Com informações da Gazeta Esportiva

