O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, afirmou nesta segunda-feira (15/6) em São Paulo que o Bolsa Família é um “direito adquirido” do povo brasileiro, uma “estabilidade para quem já passou fome”. Ele também defendeu a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e considerou ter sido um “erro” a maneira como o governo de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), tratou a imprensa profissional.
— Para mim, a imprensa exerce um papel fundamental. No que depender de mim, vai ter sempre liberdade de imprensa, liberdade de expressão, independente de matérias injustas contra mim, ainda que eu as ache injustas. E foi um dos problemas que eu identifico no governo do presidente Bolsonaro, o relacionamento com a imprensa, o preconceito, muitas vezes, de quem estava gerindo o orçamento para a publicidade, com relação a alguns veículos de comunicação. Isso tem que ser mudado radicalmente. É um aprendizado de uma coisa que eu acho que foi feita errada, a gente não precisa repetir o erro — afirmou no fórum Rumos do Brasil, promovido pela revista Veja.
A afirmação sobre a imprensa foi feita de maneira espontânea, quando o senador falava sobre que empresas públicas pretende privatizar caso seja eleito presidente em outubro. O pré-candidato disse que é preciso analisar “caso a caso”, mas já adiantou ser favorável à privatização dos Correios, e contra a da Petrobras, “como um todo”.
— Eu sou contra a privatização da Petrobras como um todo, mas tem partes da Petrobras que podem, sim, ser privatizadas, ou ter algum modelo de parceria público-privada ou de desestatização, a redução da quantidade de ações que a União tem na empresa. Mas isso é uma coisa que não dá para eu cravar agora — acrescentou.
Indagado sobre o que pensa sobre o Bolsa Família, Flávio sugeriu ampliar a regra de proteção para que os beneficiários do programa sigam recebendo o recurso “por um tempo”, mesmo após conseguirem emprego formal ou aberto uma empresa, sem detalhar como isso seria feito. Pela regra atual, quando o beneficiário tem a carteira assinada, ele passa a receber 50% dos valores que recebia por mais dois anos, desde que a renda por pessoa da família não ultrapasse meio salário mínimo.
— Muita gente tem um preconceito com relação a quem está no Bolsa Família, como se não quisessem trabalhar. É um erro isso. Quase 70% das pessoas que recebem o Bolsa Família trabalham informalmente. E não vão para a formalidade porque têm medo de perder o benefício. A gente tem que entender que o Bolsa Família é estabilidade para quem já passou fome. A pessoa pensa o seguinte: “se eu arrumar um trabalho de carteira assinada e perder o Bolsa Família, e se perder o meu trabalho, como é que vou ficar? Vou voltar para aquela época que passava fome, que eu tinha que pedir dinheiro no sinal de trânsito?” — falou.
O senador ainda foi questionado sobre o que achava da isenção do IR para quem ganha salários de até R$ 5 mil, uma das vitrines do governo Lula (PT) para a eleição deste ano. Ele defendeu a medida, mas aproveitou a oportunidade para comparar a gestão atual do Palácio do Planalto com a de seu pai.
— Eu sou favorável, era uma promessa de campanha também do presidente Bolsonaro. A única diferença é que, com o Bolsonaro, certamente, você teria uma compensação de abrir mão dessa receita, você teria de onde tirar, sem precisar aumentar ou criar impostos. O atual governo faz o contrário, esfola o contribuinte brasileiro com elevadíssima carga tributária para poder cumprir essa promessa de campanha — falou.
Nos últimos meses, o pré-candidato do PL à Presidência vem intensificando a defesa do Bolsa Família, principalmente ao destacar a importância do benefício para as mães-solos e as mulheres chefes de família, em um aceno ao eleitorado feminino, conforme mostrou o GLOBO.
Durante seu governo, Jair Bolsonaro ampliou o valor do benefício, mas mudou o nome para Auxílio Brasil. O nome original voltou após a posse de Lula em 2023. Em pré-campanha, Flávio dá sinais de que não pretende mudar o nome uma vez mais e saiu em defesa pública do programa, em discursos e entrevistas, além de prometer ampliá-lo.
Desde que foi escolhido pelo pai como candidato do bolsonarismo para a disputa presidencial, Flávio tem se equilibrado entre defender o legado do ex-presidente e adotar postura que poderia ser lida pelos eleitores independentes como mais moderada, inclusive ao apontar erros passados. Além de não repetir o tom bélico do pai com relação às mulheres e à imprensa, Flávio fez “dancinhas” nas redes sociais, apostou em jingles com ritmo de funk, e faz questão de lembrar que, diferentemente do pai, tomou a vacina contra a Covid-19.
Por O Globo

