43 anos se passaram, mas a memória de Andréa de Oliveira permanece nítida. Em uma entrevista emocionante à rádio Silvestre FM, a hoje mulher de 56 anos revisitou o momento em que, aos 13, deixou de ser uma adolescente anônima para se tornar a protagonista de um dos episódios mais emblemáticos da história política de Itaberaí: o dia em que furou o bloqueio presidencial de João Figueiredo.
Durante o bate-papo, Andréa revelou os detalhes daquele dia em 1983. Enquanto a cidade se mobilizava para receber a comitiva federal, ela carregava no bolso não apenas um papel, mas a esperança de mudar a realidade de sua mãe.
“Eu não tive medo”, relembrou ela na entrevista. Andréa contou como observou as brechas na segurança.
Enquanto os agentes se preocupavam com grandes movimentações, a agilidade de uma criança permitiu que ela se aproximasse do general-presidente. O objetivo era único: entregar uma carta escrita à mão pedindo uma casa digna para a família.
Na entrevista, Andréa detalhou o que escreveu naquele pedaço de papel. Não era um texto político, mas um apelo de filha. Ela descreveu as dificuldades enfrentadas pela mãe e a insegurança de não ter um teto próprio.
A repercussão foi imediata para a época. Ela relembrou como foi o contato posterior com os órgãos do governo e a mistura de incredulidade e alegria quando o pedido foi atendido. A casa, fruto daquela audácia juvenil, tornou-se o porto seguro de sua mãe por décadas.

