O Flamengo se despediu da Copa do Mundo de Clubes neste domingo após derrota por 4 a 2 para o Bayern de Munique, nas oitavas de final. Para Filipe Luís, a justificativa para o resultado é simples: a superioridade do time alemão, que está em outro nível no futebol mundial. O treinador rubro-negro minimizou os erros de sua equipe e destacou a qualidade do adversário, que, segundo ele, poderia ter vencido mesmo se sua estratégia tivesse sido diferente.
– Tomamos o gol de escanteio, depois tomamos o segundo gol em um erro de saída de bola, depois tivemos volume e acabamos fazendo 2 a 1. A partir desse momento, quando o Bayern nos levou até nossa área, a gente não conseguiu sair, porque é um time com uma qualidade imensa e eles não perdem a bola. Eles te sufocam, a pressão pós-perda é muito grande, fisicamente eles te sufocam. Tentamos sair no contra-ataque com o Arrascaeta e o Plata, e eles voltam com seis, sete jogadores ao mesmo tempo. É um time superior a nós, simples assim. São melhores que nós e mereceram passar. Erramos na saída de bola, o que gerou gols. Se optássemos por uma forma diferente, talvez teriam saído gols de outras maneiras – analisou Filipe Luís.
– Jogando dessa forma estaremos mais próximos do nosso objetivo, que é a vitória, independentemente do adversário. A forma que nós jogamos nos aproximou mais de poder vencer esse jogo contra um verdadeiro colosso. Um time espetacular que tem todos os méritos de ter passado de fase. Um time incrível que foi e é superior, temos que reconhecer. Desejo sorte para o Bayern no decorrer da competição.
O Flamengo agora retornará ao Brasil e voltará suas atenções para as competições que disputa na temporada: Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores. O próximo jogo do time de Filipe no campeonato nacional é contra o São Paulo, pela 13ª rodada. O Fla é o líder da competição.
Outras declarações de Filipe Luís:

– Simplesmente reconhecer a superioridade do adversário. Fizeram grande jogo, são muito bons, já sabíamos disso. Nesse nível, qualquer erro, eles não perdoam. Mas estou muito orgulhoso da minha equipe, pelo esforço que fizeram, o jeito que acreditaram, lutaram até o final, mas futebol é assim. Passou quem mereceu. É reconhecer o mérito e a superioridade do adversário e continuar trabalhando.
Experiência
– Agradeço pela oportunidade linda de disputar esse Mundial, pela maneira como fomos recebidos e tratados aqui durante essas semanas que ficamos nos Estados Unidos, pela organização, por vocês da imprensa, por todo mundo que fez essa competição ser muito especial. Foi um privilégio muito grande fazer parte de uma elite de clubes. Me deixa muito orgulhoso ter participado.
Emocional
Necessidade do Mundial e respeito à competição
Nível é mesmo muito diferente? Dava para fazer diferente? Como aproximar esse nível?
– Se dava para fazer, nunca saberemos. O jogo que todo mundo imagina, com outras peças, nunca vai acontecer, já foi. Acredito que nosso plano deu certo, a gente pressionar bem o Bayern; conseguimos tirar a bola deles, ter chances de gol, infelizmente eles são melhores e estão os melhores jogadores do mundo nessa elite do futebol. O que fazer para que isso não seja assim? Não vender jogadores. Impossível. Se o Vinicius Junior não tivesse saído, hoje teríamos o melhor jogador do mundo jogando com a gente. Por que eles saem? Porque querem jogar na elite do futebol. Que poderíamos ter vencido, ter sido campeões, claro que sim, porque no futebol tudo pode acontecer, mas isso não tira a realidade, que esses times são muito bons. Não é problema reconhecer.
O que faltou para tentar o domínio e errar menos?
– Temos um plano onde os laterais passam. Se você não consegue superar a marcação, o lateral não passa. Temos um plano de atacar o espaço. Se o zagueiro defende e tem uma qualidade defensiva tão grande que não deixa seu atacante nem correr, porque ele é tão forte e rápido, ele te domina. Te leva ao território, deixa incômodo em campo. Não consegue sair pelo chão, não consegue pela bola longa. Porque ele é melhor. E não é vergonha reconhecer. O time do Bayern é melhor. Sei que gostaríamos muito de falar de outro jogo. Se trocasse uma outra peça, se jogasse de outra forma, sim… essa pode ser a opinião do torcedor, pode ser de vocês aqui. A realidade é que nos custa muito reconhecer a virtude e mérito do adversário de pressionar. Teve que descer o Goretzka para marcar o Gerson e igualar no mano a mano para subir o lateral-esquerdo com o Wesley, fizeram um mano a mano na saída. É muito complicado superar um time que te encaixa desta maneira e com a qualidade defensiva e ofensiva que tem.
Bayern enfrenta as grandes equipes do mundo com frequência. Isso eleva o nível da equipe?
– Cada vez que estávamos bem no jogo e conseguimos diminuir o placar, nos sentíamos bem, ficou uma diferença de um gol. Pensávamos: “agora vamos empatar e eles vão vir abaixo”. Esses jogadores estão acostumados, primeiro pelo nível técnico e qualidade individual que eles têm, depois os clubes que jogam, as competições que lutam todos os anos, levam a ser jogadores da absoluta elite do futebol e acostumados a viverem esses momentos. Eles voltam a dominar o jogo mesmo vencendo por um gol, qualquer outra equipe viria a baixo. Eles têm essa frieza de defender com bola, de te empurrar para a área, você quer sair e eles têm essa pressão pós perda muito forte. Se joga bola longa, o goleiro está praticamente no meio-campo e coloca a bola de novo em jogo. Gera um desgaste muito grande, o time não consegue sair e eles acabaram fazendo sempre um gol de vantagem. Reconhecer a qualidade da equipe do Bayern, como clube e qualidade individual dos jogadores, a forma muito agressiva como estão treinados, de propor e pressionar. Atacam com muita gente, praticamente com seis jogadores. É muito difícil jogar contra um time com tanta qualidade e imposição. Reconhecemos a superioridade deles, mas é um intercâmbio muito legal para que a gente possa vivenciar esses momentos e ver a qualidade desses times de elite.

